Setor de bebidas alcoólicas foca no público infantil para garantir futura base de consumidores, alerta especialista..
Assessor regional da Opas afirma que, sem regras rígidas, publicidade de bebidas influencia os mais jovens.
Por: Redação
5/7/20262 min read


Marketing de Longo Prazo: Especialista Alerta para Estratégias da Indústria do Álcool Voltadas ao Público Infantil
SÃO PAULO – O setor de bebidas alcoólicas tem sido alvo de análises críticas por especialistas em saúde pública e marketing devido ao que chamam de "fidelização precoce". Segundo levantamentos recentes, a estratégia da indústria não visa apenas o lucro imediato, mas a construção de uma base de consumidores para as próximas décadas, utilizando-se de táticas que atingem, direta ou indiretamente, o público infantil.
O Mecanismo da "Familiaridade"
De acordo com especialistas em psicologia do consumo, a exposição de crianças a marcas de álcool ocorre de forma subliminar e constante. O objetivo é criar um laço de familiaridade e normalização do consumo antes mesmo da idade legal.
Os principais canais de alcance identificados são:
Patrocínios Esportivos: A presença de logomarcas em uniformes e eventos assistidos por famílias.
Produtos Adocicados (Alcopops): Bebidas com cores vibrantes, sabores de frutas e embalagens que remetem a refrigerantes ou sucos.
Marketing Digital: O uso de influenciadores e memes que circulam em redes sociais amplamente utilizadas por menores de idade.
Consequências para a Saúde Pública
A preocupação reside no fato de que o cérebro em desenvolvimento é mais vulnerável à formação de hábitos. "A indústria do álcool mira a criança hoje para garantir o consumidor de amanhã", afirma o especialista consultado. Estudos indicam que quanto mais cedo ocorre o primeiro contato positivo com a imagem de uma marca de bebida, maior a probabilidade de consumo abusivo na vida adulta.
A Barreira Regulatória
Diferente da indústria do tabaco, que sofreu restrições severas de publicidade nas últimas décadas, o setor de bebidas alcoólicas — especialmente o de cervejas e vinhos — ainda goza de maior flexibilidade na legislação brasileira. Grupos de defesa do consumidor e entidades de saúde pressionam por uma regulação mais rígida que impeça a associação do álcool com estilos de vida infantojuvenis e o uso de elementos visuais que atraiam menores.
O Outro Lado
As associações que representam a indústria de bebidas afirmam seguir códigos rígidos de autorregulamentação, sustentando que suas campanhas são direcionadas exclusivamente ao público adulto e que promovem o consumo responsável. Alegam ainda que o setor contribui significativamente para a economia e gera empregos, defendendo que a educação familiar é o principal pilar para evitar o consumo precoce.
Por: Redação
